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Edição #6
Rio de Janeiro, 2003

Esta é a receita de Oliviero Toscani, ex-fotógrafo publicitário da Benetton, por um mundo melhor

Desvendando a distinção para compreender a complexidade da identidade humana

Novos tempos para a indústria fonográfica

O DJ Carl-Joakim fala sobre o seu projeto eletrônico e a cena na Austrália

O DJ da periferia de São Paulo que conquistou o mundo

Quais são as utilidades desta planta? Por que a sua proibição?

Libertando-se das garras do dogmatismo religioso

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INTERFACE DO NAPSTER (LEMBRAM??? :)

TAGS: ativismo, cultura, música, vídeos

Depois do Napster, a relação entre artistas e consumidores de música nunca mais será a mesma... Se até os anos 90 você era obrigado a comprar álbuns em lojas de discos, hoje em dia você tem acesso a praticamente qualquer música que queira pela internet, seja gratuitamente, seja pagando preços irrisórios. O Napster não é mais gratuito, mas em compensação temos uma variedade de outros programas de compartilhamento de arquivos como Soulseek, Kazaa, Morpheus, eMule, Muze etc.

Mas muita gente diz que um artista deveria ser contra suas músicas sendo trocadas nesses programas de compartilhamento, porque isso o prejudica, já que acaba não vendendo tantos CDs. Mas será que isso é verdade? A quem interessa manter esse esquema? Quem foi que estipulou essas regras? Quem inventou que você deve gravar um álbum por uma gravadora (de preferência major) com doze ou dezoito músicas e pôr o álbum pra vender nas lojas, com um monte de intermediários no meio? Resultado: no final você (que fez a música e deveria receber a maior parte) só recebe uma mixaria por CD vendido. É claro que se surgir um ótimo contrato por uma gravadora, oferecendo diversas vantagens para você ou sua banda, seria radicalismo negar. Mas convenhamos: o mercado está saturado de jabás, regrinhas e restrições... Se hoje em dia existem alternativas, por que não tentar também? 

O lance de divulgar a tua música pela internet, obviamente, é a grande sacada - a tecnologia está aí não é à toa, é uma chance de revolução limpa... é para democratizar a arte mesmo, é exatamente para oferecer meios e armas para a gente poder foder com o esquema mediocrizante que reina na cena cultural do planeta - acho que não só no Brasil, mas em todo o planeta...

Artistas consagrados do mainstream como o Metallica processam fãs que baixaram a sua música porque estes (raros) artistas já estão estruturados, e vêm de uma época em que eram forçados a trabalhar com as gravadoras. Agora são novos tempos. Agora é hora para uma nova mentalidade. Não é para o futuro - é aqui, agora!

Falo que é uma oportunidade de revolução porque é uma oportunidade de se mudar radical e profundamente a estrutura que existe hoje por meios pacíficos, sem porradaria, só na base do talento, da arte. Acabar com o intermediário. Isso até soa meio utópico, mas não é... Temos vários exemplos de bandas comercialmente bem sucedidas recentemente que conseguiram criar sua fan-base principalmente através da divulgação pela Internet (Artic Monkeys, CSS, Lily Allen etc). Alguns artistas, quando lançam álbuns novos, já os disponibilizam temporariamente de graça em sua própria página (Combichrist, por exemplo). Seria isso um suicídio comercial? Se fosse, duvido que eles agiriam assim... Nem todo artista, porém, acha vantajoso fazer isso, preferindo liberar de graça apenas algumas músicas, no seu próprio site e/ou em sites especializados em divulgação de artistas, que servem de chamariz para o restante do seu acervo à venda no iTunes (EDIT 2024: ou em outras lojas virtuais como o Bandcamp, sem contar com as plataformas de streaming como Spotify, Apple Music etc.).

E como se sustentar hoje em dia então, já que parece que não se tem mais tanto lucro com a venda de música? - A saída é fazer shows. O propósito de distribuir a música digitalmente é justamente para divulgar o seu trabalho, o que gera feedback para suas apresentações ao vivo. Alguns artistas chegam a até mesmo entregar seus álbuns nas mãos de camelôs, e pedem a eles para copiarem e venderem como música pirata, pois avaliam que com isso o retorno será mais vantajoso.

Se de um lado existe gente, toda uma civilização, a fim de escutar música legal, e do outro lado tem gente fazendo música legal, pra que ter alguém no meio, ganhando dinheiro sem produzir arte nenhuma, só pasteurizando, mediocrizando, controlando, dirigindo sob seus interesses a arte e o gosto dos outros? É importante que esse esquema seja derrubado...

Até agora, a internet parece ser um instrumento concreto capaz de promover esse approach direto entre a arte e o povo a fim de arte. Feliz de quem conseguir esse encontro direto com o público, sem IBOPEs, jabás, panelas e, principalmente, sem gravadora pasteurizando.

Colaborou Ricardo Antonio

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“DKANDLE tece paisagens sonoras transcendentes vibrantes e multicoloridas, misturando texturas Shoegaze difusas e reverberantes, meditações Dream Pop hipnotizantes, tons Grunge lamacentos e tensões Post-punk temperamentais, intensificadas com lirismo comovente e vocalizações emotivas e pensativas”

A HISTÓRIA DO NAPSTER

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