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Edição #11
Rio de Janeiro, 2008

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“DKANDLE tece paisagens sonoras transcendentes vibrantes e multicoloridas, misturando texturas Shoegaze difusas e reverberantes, meditações Dream Pop hipnotizantes, tons Grunge lamacentos e tensões Post-punk temperamentais, intensificadas com lirismo comovente e vocalizações emotivas e pensativas”

MINO CARTA
EDITOR DA REVISTA CARTA CAPITAL

TAGS: ativismo, cultura, política, vídeos

Somos vítimas do golpe até hoje. A ditadura é dessa mesma malta infecta de senhores medievais que gostaria de manter tudo como está.

Em 1964 se interrompe um processo que caminhava para modernizar o país - e o que não se desejava é que o país se modernizasse. Era preciso mantê-lo na Idade Média. Um exército de ocupação cuidou disso, mas quem estava por trás eram os costumeiros donos do poder.

O pior problema é o baixo conceito de inteligência de uma elite que é a pior do mundo. A elite brasileira não é apenas extremamente medíocre, mas prepotente, predadora e, naturalmente, está em um jogo fácil porque o povo brasileiro traz no lombo a marca do chicote da escravidão. Tem gente inteligente no mundo que explica que é inútil esperar revolta por parte de povos apáticos e conformados.

O nosso jornalismo é péssimo. Ele é muito mal-escrito. Há um abismo entre as nossas publicações e as publicações importantes do mundo. Por exemplo? Os jornais ingleses, italianos, alemães, franceses. Os americanos pioraram bastante, mas The New York Times é melhor do que o Estado de S. Paulo. O nosso jornalismo é ridículo inclusive porque se vangloria de produzir tudo com cem palavras em trinta linhas. É um jornalismo que ainda tem coluna social. Coluna social não existe em jornal do mundo há pelo menos 150 anos. É a coluna das efemérides, o baile das debutantes. Hoje é um pouco diferente: quem cheira e quem não cheira.

A Veja pode ser terrivelmente feroz. Ela trabalhou ativamente, como a mídia em geral, para dominar as consciências e entorpecer os espíritos. Foi um esforço concentrado e diria até que bem-sucedido.

Não vislumbro um futuro melhor, porque não há lideranças para reverter o processo, sem detrimento da possibilidade de que haja muitos jornalistas que sabem perfeitamente como poderia se trabalhar num sentido proveitoso para o país, mas que não podem fazer isso porque precisam do emprego. Às vezes são até remunerados bem demais, pagos em níveis dignos de países do chamado primeiro mundo. É inacreditável, porque não somos primeiro mundo. Somos quinto mundo. Em termos de venda, talvez abaixo... Acaba de sair uma importante pesquisa mundial que aponta que o Brasil é o país que lê menos no mundo. Nos anos 60, O Cruzeiro vendia um milhão de exemplares num país de 40 milhões de habitantes. O Brasil tem agora quase 200 milhões de habitantes e a revista de maior tiragem mal chega a dois milhões... O público emburreceu.

Eu gostaria de um Brasil diferente. Acho até que é pena que não seja, porque eu acho que o Brasil é um país extraordinário. O que me espanta é como esse patrimônio que o Brasil representa seja jogado fora por uma elite velhaca e covarde. Os patrões da mídia se detestam entre si, mas se vislumbram um mínimo de risco no horizonte, se juntam do mesmo lado.

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