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Edição #3
Rio de Janeiro, 2000

Música eletrônica

com influências orientais

Cabeça feita!

Um lugar onde milhões de animais vivem e morrem como se estivessem em um campo de concentração

Aceite nosso Deus

ou sofra as consequências!

Um pedido?

Não, um direito.

Documentário põe em cheque:

Kurt Cobain se matou ou foi assassinado?

Confira entrevista exclusiva com Eva Leiz

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Algumas pessoas sustentam que Kurt foi assassinado à mando de Courtney Love, sua própria esposa. Dizem que eles estavam quase ao ponto de se divorciar, o que deixaria Courtney com menos da metade de seus bens, mas caso Kurt morresse, a história seria diferente... Ela ficaria com toda sua grana, o dinheiro da venda de qualquer material do Nirvana iria todo para ela (e com sua morte as vendas aumentariam ainda mais) e ela iria conseguir mais atenção e popularidade para promover a sua banda Hole.

 

Mas afinal, qual deve ter sido a verdadeira história por trás da morte de Kurt Cobain?

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“DKANDLE tece paisagens sonoras transcendentes vibrantes e multicoloridas, misturando texturas Shoegaze difusas e reverberantes, meditações Dream Pop hipnotizantes, tons Grunge lamacentos e tensões Post-punk temperamentais, intensificadas com lirismo comovente e vocalizações emotivas e pensativas”

Para quem esperava que esta resposta fosse revelada no documentário Kurt and Courtney, que chegou até a passar em sessões únicas em cinemas alternativos brasileiros e na HBO, este filme é um tanto decepcionante. O documentário não esclarece nada: ao contrário, só põe mais lenha na fogueira. Dirigido pelo diretor inglês Nick Broomfield, que conheceu o Nirvana através de seu filho adolescente, Kurt and Courtney é um filme que, com muitas doses de humor britânico e vários questionamentos provocantes, nos conta como foi a vida conturbada de Kurt. E é um desfile de insinuações contra Courtney.

Muitos pontos negativos contra ela são abordados. Ela tentou de todas as maneiras possíveis atrapalhar - para não dizer boicotar - o filme. Primeiro de tudo, proibiu que canções do Nirvana servissem de trilha sonora. Ela também proibiu a apresentação de estreia do filme no Sundance Film Festival. A película imediatamente começou a chamar a atenção da mídia americana, que debatia o direito de liberdade de expressão de Broomfield. Ele, muito sabiamente, aproveitou-se da situação e rotulou o seu documentário (nos cartazes e propagandas em jornais e revistas) de "O Filme que Courtney Não Quer que Você Veja".

Várias pessoas são entrevistadas no decorrer do filme. Uma delas é Tom Grant, detetive que Courtney contratou para encontrar Kurt logo após o seu desaparecimento de uma clínica para recuperação de viciados, em Los Angeles. Ele sustenta que Kurt foi realmente assassinado - por ela! "Courtney me contratou simplesmente para convencer a todos que ela estava fazendo de tudo para achá-lo", declara ele, que também afirma que ela se casou com Kurt por interesse, e que ele ficou cansado do casamento e pensava em se divorciar. Além disso, segundo Grant, "a quantidade de heroína achada no sangue de Kurt após a sua morte era muito maior do que a de uma dose fatal, o que nos leva à conclusão de que ele nunca teria condições de segurar a arma e dispará-la contra o seu próprio rosto." Mas o próprio documentário esclarece que essa dose não era assim tão fatal, quando mostra uma experiência onde um cobaia havia injetado o dobro da quantidade de heroína encontrada no sangue do Kurt, e ele podia ficar em pé sobre uma perna só. Além disso, o efeito demora entre um minuto e um minuto e meio, o que lhe daria tempo suficiente para pegar a arma.

De acordo com Grant, Courtney sabia da fama depressiva de Kurt, e caso forçasse uma história em que ele havia se suicidado, todos acreditariam. Ela teria contratado uma pessoa para matá-lo e forjar um suicídio. Ele também afirma que não havia impressões digitais na arma usada no crime. No entanto, outras fontes mencionam que somente as impressões digitais puderam permitir a identificação do corpo. Ele também diz que a carta de despedida de Kurt era na verdade uma despedida do Nirvana, dos seus fãs e do casamento, não da vida; ele estava apenas dando um basta naquelas coisas que ele tanto odiava. Tom também afirma que as últimas frases da carta foram escritas por uma outra pessoa, sendo que estas são as únicas palavras que realmente passam uma impressão de suicídio. Mas isso também não prova que foi outra pessoa que escreveu aquilo. Ele provavelmente escreveu aquela última parte depois, e quando isso ocorre, a letra nunca fica parecida, sempre alterna o padrão. Faça você mesmo um teste, escreva algo e continue a escrever o mesmo texto algumas horas depois, e você perceberá que a letra está diferente... Este advogado não apresentou nenhuma prova imbatível. Além disso, se não fosse por essa teoria, você algum dia teria ouvido falar de Tom Grant?... Nem eu.

Mas o que é realmente intrigante nisso tudo é o fato de Hank Harrison, o próprio pai de Courtney, ser contra ela. Autor dos livros Kurt Cobain - Além do Nirvana e Quem Matou Kurt Cobain? (em inglês), Hank não faz cerimônias em dizer que sua filha tem um temperamento ultraviolento e que Kurt era infeliz ao seu lado. Broomfield chega a comentar que acha estranho ouvir um pai falar mal de sua própria filha.

Outro entrevistado polêmico é El Duce, ex-vocalista de uma banda porno-punk de Los Angeles, que afirma ter sido oferecido U$ 50.000 por Courtney para matar Kurt, mas riu da oferta porque achou que fosse piada. "'Estoure os miolos dele!', ela me disse". Note-se que ele estava bêbado quando deu essa declaração. Outra coisa suspeita é ele, um suposto assassino de aluguel, comentar sobre isso tranquilamente na frente de uma câmera. No mundo real, ninguém que trabalhe assassinando pessoas vai falar aos quatro ventos sobre seu trabalho, isso não existe... É evidente que ele estava mentindo. Alguns dias após a entrevista, El Duce foi misteriosamente atropelado por um trem. Algumas pessoas sustentam que na verdade ele foi assassinado, por ter "falado mais do que devia"... (Inclusive ele menciona no documentário que sabe quem matou o Kurt). Mas talvez ele tenha repensado sobre a mentira uó que contou ao documentário para se auto-promover e, arrependido, se jogou na frente do trem.

 

É notório que Broomfield não vai muito com a cara de Courtney... Em determinada parte do filme, ele mostra fotos dela quando mais jovem, posando de junkie e largada, e depois mostra cenas suas em uma festa de cerimônia do Oscar, com um cabelo impecável e um vestido carésimo, totalmente high society. "Kurt nunca estaria neste meio!", declarou Mary, tia de Kurt. Broomfield também mostra uma entrevista onde Courtney foi rude com uma entrevistadora que fazia perguntas que ela não queria responder a respeito do seu uso de heroína, e ele mostrou isso no documentário só para tentar "queimar o seu filme" e passar uma imagem de mulher arrogante (distorcendo o contexto, pois ela já tinha avisado à entrevistadora para não abordar o tal assunto, e por isso ela ficou irritada, mas é o direito dela, a entrevistadora descumpriu um trato).

Apesar de todas as insinuações, o filme não prova nada, resolveram pegar a Courtney pra Cristo. O fato é que o Kurt gostava dela, ele próprio declarou isso várias vezes. E por que não mostraram imagens dela lendo a carta de despedida dele, chorando horrores? Não acredito que ela estava fingindo... O filme é parcial, o diretor não se interessou em entrevistar pessoas que poderiam defender Courtney. Parece que alguns entrevistados só queriam aparecer no filme, talvez o próprio diretor só quisesse aparecer também, e pode haver depoimentos falsos só para instigar.

Mas, pelo menos, o documentário não deixa de nos mostrar o outro lado da história: Kurt era realmente uma pessoa depressiva, e são grandes as chances de que ele tenha mesmo se matado. A própria Mary, tia de Kurt, acredita na versão do suicídio. Ela revela que, certa vez, leu uma antiga letra de Kurt chamada 'Seaside Suicide', onde teve a nítida impressão de que ele já havia tentado se matar antes. Também há depoimentos de amigos e de uma ex-namorada de Kurt declarando que ele era meio down mesmo, e há mostras de vídeos caseiros focalizando Kurt por acaso, onde ele aparece com um aspecto melancólico.

 

O que mais impressiona no filme é testemunhar o mundo depressivo em que Cobain nasceu e foi criado. Sua casa e sua cidade de infância e adolescência (Aberdeen, WA) eram (e ainda são) uma deprê só - bairro e casas pobres (para o padrão americano), com um grande rio poluído, ruas mal-cuidadas e sempre desertas, clima na maior parte do ano cinza, frio e chuvoso. Ele teve problemas com drogas pesadas desde a adolescência, teve problemas de relacionamento na escola e em casa (seus pais se divorciaram quando ainda era criança, o que criou um dos seus maiores traumas, e também passou por vários períodos sem ter onde morar fixo). Ele odiava ser famoso e chamado de líder, e seu vício por heroína custava U$ 300 por dia (era o máximo que ele podia tirar de caixas eletrônicos diariamente). Você realmente consegue compreender a raiz das melodias depressivas que Cobain escrevia. Ele era um músico talentoso, simples mas muito ambicioso, que não soube lidar com a pressão da fama e deixou-se cair na armadilha do showbiz, agravado pelo tormento do vício em heroína.

Enfim, Kurt and Courtney não adiciona nada, mas ainda assim é um documentário interessante de se ver, mesmo para quem não é fã do Nirvana. Há algumas situações engraçadas. E só de ouvir gravações de Kurt quando tinha 2 anos de idade, mostradas no filme por sua tia Mary, já vale a pena. Em uma destas gravações, Kurt começa a cantar imitando o som de uma guitarra pesada. Mary ri de seu sobrinho, e conclui com a frase que neste momento está na cabeça de todos espectadores: "Isso é o início do Nirvana!"

Mas e aí, você acha que Kurt se matou ou foi assassinado? Comente abaixo

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Em 8 abril de 1994, Kurt Cobain foi encontrado morto em sua casa, em Seattle. Com uma espinguarda ao lado do corpo e uma carta de despedida, era mais do que certo que ele havia se suicidado. Porém, algumas pessoas começaram a desconfiar que Cobain pudesse ter sido assassinado. Afinal, com todo o dinheiro que tinha, alguém poderia ter interesse na sua morte. Surgiram então várias teorias sobre uma conspiração contra ele. Mas afinal, quem poderia ter matado Kurt Cobain?

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TAGS: cinema, cultura, música, rock

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