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Edição #12
Rio de Janeiro, 2009

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“DKANDLE tece paisagens sonoras transcendentes vibrantes e multicoloridas, misturando texturas Shoegaze difusas e reverberantes, meditações Dream Pop hipnotizantes, tons Grunge lamacentos e tensões Post-punk temperamentais, intensificadas com lirismo comovente e vocalizações emotivas e pensativas”

POR QUEOUVIR MÚSICAÉ VICIANTE

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TAGS: cultura, filosofia, música

Existem três tipos de música: de um lado, temos as músicas que não gostamos. Do outro lado, temos as que gostamos, divididas em duas categorias: as novas, que ouvimos pela primeira vez e já gostamos de cara, e as já conhecidas, que um dia foram inéditas, e você gostou delas e as manteve na sua playlist, ouvindo-as eventualmente até hoje em dia, e pretende ouvi-las para sempre.

 

A música boa é como um passeio. Ela nos leva para lugares agradáveis, por isso deixamos que ela nos conduza, e gostamos de visitar aquele lugar várias vezes, por isso ouvimos músicas conhecidas com prazer. Nós gostamos de ouvir música (boa) nova porque ela abre todo um novo mundo, nos tira do tédio e nos apresenta uma nova realidade. Por isso tantas milhões de pessoas adoram frequentar festas de música eletrônica, onde quase sempre o DJ estará tocando músicas frescas, lançadas recentemente, ou underground e desconhecidas, muito boas de se ouvir/dançar.

 

E nós gostamos de ouvir músicas antigas porque elas são um canal de satisfação da nostalgia das origens que todos sentimos. Todos nós sentimos uma espécie de nostalgia de nossas origens, mas não temos memória dessa origem, é uma nostalgia por algo que não sabemos o que é, mas sempre carregamos dentro de nós essa espécie de saudade de algo profundamente nosso, mas que não temos a menor ideia do que seja. A musica parece falar, sem palavras, de um mundo distante - tem alguma coisa nela que fala dessa nossa origem ignorada, porque o fundo de onde ela vem e de onde viemos é o mesmo, por isso temos essa impressão de que somos velhos conhecidos. Isso traz um grande prazer. A música satisfaz bastante, pois sempre será algo nostálgico: quando ouvimos uma música boa pela primeira vez, é como se já a conhecêssemos, embora ela seja inédita; é porque a música só pode se dar como deve ser no interior do ouvinte, quando você ouve uma música, você e a música se tornam uma coisa só, passam a ser um só ser. É como se você acessasse uma outra realidade mais próxima das suas origens como Ser.

 

A música também ajuda a passarmos melhor o tempo. Temos esse fundo constante de tédio que gera angústia, então estamos a cada segundo tentando fugir daquele estado insuportável. A música nos ajuda a "abstrair" daquela chatice do mundo normal. Ela nos pega pela mão e nos conduz para um outro lugar, permitindo que escapemos da existência maçante por alguns momentos.

Uma música que não encontre ouvidos será apenas ar se movimentando; a música não existe no mundo, ela existe apenas dentro de nós. Essa fusão traz um sentimento de êxtase natural, porque estamos despidos de racionalidade e nos tornamos um só ser com a música. Quando ouvimos música boa deixamos de ser humanos individuais, tornamo-nos outra coisa, pois aquela música está se fundindo com você, seu estado existencial é outro agora, sua individualidade acaba quando a música começa. Aquela música é você!

Já a música conhecida, quando a ouvimos, ela irá, além disso tudo, ser ainda mais nostálgica, pois nos remeterá a bons momentos passados que queremos tentar reviver. Quando ouvimos uma música conhecida e que gostamos, todos os nossos outros “eus” passados que a ouviram também estarão contidas naquela audição, por isso o sentimento nostálgico que ela traz, e por isso mesmo muitas pessoas têm dificuldade em gostar de músicas atuais, vivem no passado, ouvindo só bandas da sua juventude, de uma época, segundo eles, “quando se fazia música de verdade, não essas porcarias de hoje em dia”. Mas existe sim muito boa música sendo produzida atualmente, basta pesquisar.

 

Música é viciante por isso, ela toca no âmago do nosso ser, ela fala diretamente com a alma sem precisar de palavras, ela nos proporciona momentos extremamente prazerosos quando nos fundimos com ela e esquecemos por alguns momentos da nossa (pesada) individualidade.

A melhor forma de ouvir música é de olhos fechados, com o corpo relaxado, sem nada incomodando, coçando, pinicando etc. Você deve estar deitado ou sentado confortavelmente. De preferência, ponha algo na cabeça tampando os olhos, como um tapa-olho, uma touca, uma camiseta preta, ou qualquer outra coisa que pressione levemente os olhos, pois isso ajuda você a penetrar ainda mais na música. Tenha um bom headphone, ou melhor ainda, posicione-se deitado com a sua cabeça entre as caixas de som. Pode ser tanto de barriga pra cima ou de bruços. O importante é que a música esteja alta na medida certa - não pode estar baixa, mas também pode estar tão alta ao ponto de incomodar. Basta fazer isto para conseguir se fundir com mais facilidade com a música. Sugiro que você ouça o(s) tipo(s) de música que mais curte. E se me permite, eu gostaria que você começasse este "ritual" ouvindo a música abaixo, do meu projeto eletrônico Colortronic. Trata-se de 'Ananda', que tem uma vibe etérea e onírica, própria para ouvir de olhos fechados. 

Boa viagem!

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