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Edição #13
Rio de Janeiro, 2010

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“DKANDLE tece paisagens sonoras transcendentes vibrantes e multicoloridas, misturando texturas Shoegaze difusas e reverberantes, meditações Dream Pop hipnotizantes, tons Grunge lamacentos e tensões Post-punk temperamentais, intensificadas com lirismo comovente e vocalizações emotivas e pensativas”

TAGS: culturadrogaslugaresmúsicamúsica eletrônicaraveunderground, vídeos

As raves são proibidas na Inglaterra, medida essa tomada por políticos conservadores que acham que por proibir as festas, o consumo de drogas será reduzido (ou eles são muito iludidos ou essa é uma desculpa barata...). Aliás infelizmente o Brasil, pelo menos o Rio, também está tomando o mesmo rumo, e isso me deixa revoltado.

Mas é óbvio que eu não deixaria de ir a uma rave durante minha visita à Inglaterra só por causa da proibição...

Lá eles chamam estas festas de squat-party. Squats são casas e apartamentos abandonados na Inglaterra invadidos por pessoas não dispostas a pagar aluguel - ou elas pagam bem barato, quando é o caso. Muitas dessas pessoas que vivem nos squats estão ligadas à cultura da música eletrônica psicodélica, e por isso elas levam fama de produzirem as melhores festas, porque elas são totalmente underground.

O esquema dessas squat-parties é o seguinte: eles obviamente não fazem flyers nem divulgam a festa na mídia. O endereço da festa só é divulgado horas antes de acontecer, através de um número de celular que é divulgado boca-a-boca. Felizmente eu conheço um brasileiro, o Rodrigo, que vai em todas as squat-parties de Londres, e ele me passou o telefone. Só que eu liguei e não entendi nada que a gravação dizia! Tipo, se a rave fosse no posto 9 da praia de Ipanema, a gravação diria mais ou menos o seguinte: "A parada é no 9, pega o 175 que passa em frente". Imagina um estrangeiro ou até mesmo um português ou um brasileiro que não é do Rio ouvindo isso... Não ia entender nada, né?... A solução foi ligar pro Rodrigo e pedir pra ele me passar o endereço. Ele me disse que seria na última estação de metrô da Jubilee Line e que quando eu chegasse lá era pra ligar pra ele de novo que ele me daria mais detalhes. Oba! Peguei o último metrô, já era quase meia-noite, e fui direto pra Stratford. Chegando lá liguei pra ele de novo.

- Fala, Rodrigo, já to aqui em Stratford.

- Não, cara, não é em Stratford, é em STANMORE!!! Você foi pro outro lado da cidade!

Holy shit!! Não acreditei! Putz, já era madrugada, o metrô já tinha fechado e Stanmore era longe pra caralho de onde eu tava.

- Po, vou desistir, deixa pra outra então.

- Não, meu, vem de ônibus mesmo que dá!

Eu tava puto e frustrado, mas quer saber? Decidi ir assim mesmo! Fui até o centro de Londres (levei uma hora), e depois peguei outro ônibus até Stanmore (mais duas horas). Cara, que sufoco! Tipo, cheguei em Stanmore (que fica na zona 5) mais de 3 horas depois! Mas valeu a pena...

Vieram mais umas 8 pessoas comigo no ônibus da linha N-98 que também estavam indo pra rave. Quando chegamos no ponto de ônibus final, chegou uma van e um cara disse pra gente entrar que eles nos levariam até a festa. Embarcamos e levamos

mais uns 5 minutos até o local. Não era uma
squat, mas um clube afastado. A área ao

redor era cheia de árvores, sem casas ou

comércio por perto. Lembrei do sítio de

Vargem Grande no Rio onde rolava a Bunker

Rave. A diferença era que as pistas de

dança ficavam dentro do clube (por causa

do frio que faz à noite em novembro, e

também pra abafar o som), com exceção do gramado onde rolava chill-out music e projeções visuais com um gramado e árvores ao redor.

Fiquei surpreso, imaginava que a festa seria num squat sujo, tosco, mas não! A decoração era de primeira, muitas cores fosforescentes, panos com pinturas temáticas, tudo bem organizado... A entrada era apenas £5, bem barato (EDIT 2024: cerca de R$35). Também me assustei com o número de pessoas, tinha mais de 3.000, pelos meus cálculos. Fui direto pra pista de dança mais próxima, no primeiro andar, que era pequena e decorada com tapetes orientais, e tava rolando electro e techouse.

No 2o andar, onde ficava a maior pista, rolava psy-trance (o som tava ótimo

mas a sala tava muito abafada, mal dava pra respirar!). Numa outra pista, num

galpão mais afastado, era a pista lenha, só techno e hard house. E como eu

disse, no gramado ao ar livre a música era chill-out, havia várias pessoas

sentadas pelo gramado, e algumas estavam ao redor de uma fogueira.

Também tinha um lounge dentro da casa onde tava rolando uns live PAs meio

ambient/dub techno, e outra sala com fanzines e panfletos

anti-tudo-que-você-possa-imaginar, com alguns punks e homeless, mas essa

sala estava vazia...

Nem preciso dizer que a maioria das pessoas estava high, né?... Cara, vou falar uma coisa: é muito mico que algumas pessoas pagam quando tomam muita bala... Claro que eu não tenho nada contra - tomei uma lá inclusive, mas vi um monte de gente totalmente fora de si, com os olhos virados, alucinados, degradante a parada... Uma visão muito antiestética! Aquelas meninas bonitinhas pulando e rindo que nem umas retardadas. Aqueles caras dançando completamente desengonçados e com o olhar inquieto, com a mandíbula travada. Sem comentários...

Ver essas pessoas nesse estado me deu uma certa bad trip, além do fato de eu estar sozinho já que não consegui localizar o Rodrigo. Mas isso foi apenas um detalhe. No geral valeu a pena ter ido lá, no final curti mais do que qualquer outra coisa. A melhor parte foi quando o sol começou a nascer, eu deitado na grama ouvindo um som chill-out... Amazing! ;-)

Você já foi a uma rave
no Reino Unido?
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