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Edição #13
Rio de Janeiro, 2010

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“DKANDLE tece paisagens sonoras transcendentes vibrantes e multicoloridas, misturando texturas Shoegaze difusas e reverberantes, meditações Dream Pop hipnotizantes, tons Grunge lamacentos e tensões Post-punk temperamentais, intensificadas com lirismo comovente e vocalizações emotivas e pensativas”

Raul Branco
(publicado originalmente no
Jornal Oxigênio de 05/09)

TAGS: ativismopolíticavídeos

Certamente não por coincidência, muitas das graves epidemias que contagiaram a humanidade nos últimos anos foram de origem animal. A doença da "vaca louca" (BSE), invariavelmente fatal e passível de passar para seres humanos, infectou em junho de 1994 mais de 51% das fazendas produtoras de lacticínios da Grã Bretanha. A gripe aviária ameaça retornar com um potencial comparável ao da gripe espanhola (uma gripe pneumônica que em 1918/1919 matou 50 milhões de pessoas) - caso o vírus sofra uma mutação que permita o contágio entre humanos. E agora essa gripe suína - "uma quimera genética provavelmente concebida na lama fecal de um criadouro industrial" (Mike Davis) - que ameaça o mundo com uma amplitude ainda desconhecida.

Em todos esses casos, e em muitos outros, podemos verificar a vida antinatural a que foram submetidos aves e animais tratados como matéria prima em um processo de industrialização.

Abaixo reproduzimos parte do artigo de Mike Davis, publicado com o título acima no jornal The Guardian:

"Em 1965 havia nos Estados Unidos 53 milhões de porcos espalhados entre mais de um milhão de granjas. Hoje, 65 milhões de porcos concentram-se em 65 mil instalações. Isso significou passar das antiquadas pocilgas a gigantescos infernos fecais nos quais, entre esterco e sob um calor sufocante, prontos a intercambiar agentes patógenos à velocidade de um raio, amontoam-se dezenas de milhares de animais com sistemas imunológicos muito debilitados".

No ano passado, uma comissão convocada pelo Pew Research Center publicou um informe sobre a "produção animal em granjas industriais", onde se destacava o agudo perigo de que "a contínua circulação de vírus (...), característica de enormes aviários ou rebanhos, aumentasse as oportunidades de aparição de novos vírus mais eficientes na transmissão entre humanos". A comissão alertou também que o uso promíscuo de antibióticos nas criações de suínos - mais barato que em ambientes humanos - estava proporcionando o surgimento de infecções de estafilococos resistentes, enquanto que os resíduos dessas criações geravam cepas de Escherichia coli e de pfiesteria (o protozoário que matou um bilhão de peixes nos estuários da Carolina do Norte e contaminou dezenas de pescadores).

O MONSTRUOSO PODER DOS MONOPÓLIOS

Qualquer melhora na ecologia deste novo agente patógeno teria que enfrentar-se com o monstruoso poder dos grandes conglomerados empresariais avícolas e pecuários, como Smithfield Farms (suíno e gado) e Tyson (frangos). A comissão falou de uma obstrução sistemática de suas investigações por parte das grandes empresas, incluindo algumas nada recatadas ameaças de suprimir o financiamento de pesquisadores que cooperaram com a investigação.

Trata-se de uma indústria muito globalizada e com influências políticas. Assim como a gigante avícola Charoen Pokphand, sediada em Bangkok, foi capaz de desbaratar as investigações sobre seu papel na propagação da gripe aviária no Sudeste Asiático, o mais provável é que a epidemiologia forense do vírus da gripe suína bata de frente contra a pétrea muralha da indústria do porco (já corre o rumor na imprensa mexicana de um epicentro da gripe situado em torno de uma gigantesca filial da Smithfiels no estado de Vera Cruz).

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