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O ZUMBI DO MATO é uma das poucas bandas de rock  no mundo que não tem uma guitarra na sua formação! A banda tem dois álbuns (o primeiro, "Menorme" e o mais recente, "Pesadelo na Discoteca" - essa entrevista foi feita na época do Menorme) e as letras são, digamos, super profundas... Leia esta entrevista com o vocal Löis Lancaster e saiba um pouco mais sobre a banda mais alternativa do Rio de Janeiro!

TAGS: bandas, entrevista, música, rock, underground, vídeos

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“DKANDLE tece paisagens sonoras transcendentes vibrantes e multicoloridas, misturando texturas Shoegaze difusas e reverberantes, meditações Dream Pop hipnotizantes, tons Grungey lamacentos e tensões Post-punk temperamentais, intensificadas com lirismo comovente e vocalizações emotivas e pensativas”

TRANZINE - Conte sobre a história da formação da banda, quando começou, como se conheceram e tal.
LÖIS - O Zé Felipe fundou a banda, que veio a partir da ideia mal sucedida de fazer um filme de terror com o mesmo nome. Aí eles começaram a musicar piadas sem graça, a galera foi rindo, foi indo aos shows, eu entrei no vocal, eu saí, entrou o Fumê. Eu conheci o Zé através do Tullio, um baterista que fazia mímica do Neil Peart numa bateria imaginária, já que ele não tinha nenhuma. O Marlos conheceu o Zé através de mim, íamos montar uma banda chamada "Feiosos Que Tocam Mal". O Henrique já tocava comigo em outra banda, que continua na ativa, os Elefants Terríveis. Eu conheci Johnny, o Desordeiro, pelos Garotos Podres. Ah, as más companhias!!

TRANZINE - O que significa Menorme, nome do CD?
LÖIS - É uma coagulação  das palavras "menor" e "enorme". Menor porque as músicas (menos uma) são pequenas, e enorme porque são muitas músicas pequenas! E também é uma homenagem ao Leminski, que tem um poema no qual consta essa palavra em repetição:  "Sou um poeta menormenormenormenorme..."

TRANZINE - Alguma pessoa já se sentiu ofendida com o cunho literário da banda?
LÖIS - Várias. E o pior é que geralmente quem fica ofendido tem algo a esconder. A gente só esconde, ao contrário, a parte de motes espertos no meio da zoação, os trocadilhos com ideias de Heidegger e Nietzsche... esses ficam de prêmio a quem já ia gostar das músicas sem saber dessa parte intelectualóide igualmente despropositada (sim, por que de que vale citar o ser e o tempo para explicar o mofo na parte de trás da sua calça velha?). É até um contraponto, de repente as pessoas que iriam gostar do descerebrado puro percebem que às vezes tem um caroço aí no meio - demora mais pra digerir quando você engole, mas acaba saindo a mesma merda na latrina -  E de quebra sacaneamos o Jabor, mostrando que ele faz a mesma coisa, só que pra lamber o cu do pederasta nacional que nos comanda.

TRANZINE - Vocês já ganharam alguma premiação, de qualquer categoria?
LÖIS - Acho que não, só o título de pior banda de vários anos consecutivos, o que nos gratifica bastante :) O problema de nos premiar em alguma categoria é saber em que categoria a gente iria concorrer! 

BANDCAMP DO ZUMBI DO MATO:
zumbidomato.bandcamp.com

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Edição #2
Rio de Janeiro, 1999

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TRANZINE - Ontem eu tava vendo o Underclip na NET e vi um clip de vocês, cheio de carnificina! Que porra é aquela???

LÖIS - É o clip da música "Zumbi do Mato", no qual a gente quis fazer uma homenagem a filmes de terror trash, e acho que acabamos fazendo algo ainda mais trash! A produção foi do Christian, o nosso clipeiro oficial, e teve a ajuda do pessoal de Cinema da UFF, onde ele (e eu) estudamos, e onde estudava o Cid, ex-baterista do Gangrena Gasosa, que cuidou dos defeitos especiais. Curiosidade: a assistente de direção, Clarissa, depois foi fotografada por mim e é a menina que solta a fadinha-morcego na capa do CD :)

TRANZINE - Quem faz as letras? De onde vem a inspiração?
LÖIS - Todos nós fazemos as letras, algumas em parceria, outras vêm do impressionismo poético de cada um! Quem não teve um pensamento Zumbi na vida, do tipo.. "ih, se eu peidar cagando nesse banheirinho de kitnet a menina que está comendo doce de leite lá fora vai vomitar e vai escorrer pra cá, então deixa eu levantar um pouco as calças pra não esbarrar no chão..."? Pois é... a diferença é que a gente aproveita isso, recicla, e joga no CD, onde quem toma contato pelo menos mantém as mãos limpas!

TRANZINE - Lois, qual o seu grau de parentesco com o Renato Russo? Você me lembra ele! (risos)
LÖIS - Eu num sei, mas já me disseram que eu tenho parte da família de origem brasiliense, meu tataravô era de lá, então rola uma chance de parentesco mesmo. Tomara que eu tenha algum direito à herança, quem sabe o posto de vocalista quando o Legurb voltar...

TRANZINE - E sobre o primeiro CD de vocês, foi difícil conseguir gravar, demorou para sair? Conte como rolou:
LÖIS - Sim, a gente deve tudo às únicas pessoas que tiveram a coragem de lançar a gente, o Formigão e o BNegão. Eles fizeram uma gravadora com o objetivo de dar chance a quem NUNCA iria ser aceito por outros selos, e qual o primeiro grupo em que eles pensaram? BINGO! A gravação foi rápida, 2 dias. Gravamos todas as bases ao mesmo tempo (embora uma música de cada vez), a mixagem (a cargo do Alex Frias, que saca TUDO de efeitos e ainda tocou Bozouki - um instrumento grego de cordas que o Zappa toca enquanto o Jean-Luc Ponty toca Violino de cinco cordas na "Canard Du Jour", do disco "Shut Up'n Play Yer Guitar" - na "Zorba, O Grego") e a masterização foram rápidas, mas tivemos que esperar uma grana pra prensagem, que acabou só rolando um ano depois.

E aí, você já conhecia o Zumbi do Mato? Teve a oportunidade de vê-los ao vivo? Conte nos comentários abaixo

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